20:32 P.M.
Hoje não tem título, só pra não fazer drama adiantando mais uma vez minhas decepções, frustrações, etc, etc...
Não tenho tido tempo de vir aqui, não escrevo com tanta frequência (apesar de pensar em fazê-lo quase que todo o tempo, principalmente quando não tenho papel), não tenho dormido com o dia amanhecendo, não tenho me alimentado mal... minha vida mudou muito de um dia pra outro e fazer força pra aguentar o tranco, pelo menos pra mim, não é o jeito mais certo de encarar as coisas. O que eu vou fazer quando a força acabar? Preferia continuar com a minha depressão e minhas olheiras. Não que elas estejam tão longe de mim...
Me sinto um pouco decepcionada, e pra falar a verdade, essa decepção, bem lá no fundo está me ensinando coisas que eu já deveria saber. A faculdade de História não é nem de perto o que eu imaginava, essas primeiras semanas não têm sido fáceis e eu me sinto... desapontada, enfim! Ser bombardeada com matérias "filosóficas" bem no primeiro período é um método eficaz de espantar alunos! Juro que tenho vontade de morrer por causa da obrigação de ler e perguntar sobre textos pesados, incompreensíveis e que tratam de questões não aplicáveis ao cotidiano (por mais que o texto diga que está presente no dia a dia, acredite, não está). As aulas estão sendo um saco e eu aqui, presa nessa maldição, acordando de madrugada todos os dias. Não que eu me importe tanto, sair do subúrbio e passar a manhã na Zona Sul, ao lado do Pão de Açúcar não é exatamente um plano de dia ruim :D
Voltando às minhas queixas... eu escolhi História como uma das minhas opções porque sou apaixonada pelo desconhecido, porque gosto de procurar coisas que outras pessoas não vêem, porque enxergo além no meio da multidão. Numa linguagem particular, eu quis dizer que eu enxergo coisas que só eu (e pessoas como eu) conseguem enxergar, e mais do que isso, sentir. Não é isso o que acontece lá; eu não me identifico com aquelas pessoas, com aquele espaço. E pra ser sincera, tão pouco acredito que aquelas pessoas se identifiquem com aquele tipo de ciência histórica; pra chegar lá, na loucura do historiador, do sociólogo, do filósofo... das duas uma: fuma-se muita maconha ou há a necessidade, quase que uma obrigação de estar envolvido, de entrar num contexto bizarro e fazer o cérebro funcionar de maneira produtiva, mas produtiva pra caralho. História não se aprende exatamente em sala de aula, a intenção de um curso de ciências humanas é formar pensadores de alto nível. E cá entre nós, muita gente, e arrisco até me incluir nesse grupo, não tem a capacidade, ou melhor, o dom de pensar na sua mais pura essência.
Aliás, será que alguém vai entender o que eu tô falando?
Resumindo, meus colegas calouros são superficiais, fumantes, emos, patricinhas e pseudo-cults. Uma decepção total pra quem esperava desvendar cada cantinho de cada coisa e encontrar algo que... bem, não sei. Saí da aula hoje e fui olhar o mar (ah, que saudade do mar!); enquanto estive lá, senti essa decepção gritando dentro de mim e acho que uma parte daquele encanto misterioso foi-se embora entre uma ondinha e outra. Voltei pra casa pensando em maneiras inteligentes de aguentar o período pra, quem sabe, encontrar a História de verdade no ano que vem, ou quem sabe, pedir transferência para Turismo, ou muito além disso, fazer o que o meu coração manda: meter o pé dessa merda toda e ir logo pro Jornalismo.
(pausa pra ficar puta porque o blogspot apagou o resto do post daqui pra baixo ¬¬)
Quando eu disse bem lá em cima que essa decepção está me ensinando o que eu já deveria saber, a referência era exatamente à esta questão. Inventar opções pra disfarçar uma incapacidade é a pior coisa que pode ser feita; uma hora dessas vai bater o arrependimento. E como eu sou uma menina mimada e muito precoce, o meu arrependimento chegou nas primeiras semanas de aula; não dá fugir dessas coisas, apesar do medo, eu amo os obstáculos, amo a loucura, ando entre o fracasso e a glória.
Escolher, inventar opções não é um meio de resolver problemas, e sim de intensificá-los. Segunda e terceira opções nunca serão tão excitantes e geradoras de expectativas como a primeira, e isso é válido em todos os campos da vida. É claro que História é lindo e que Turismo está bastante ligado à uma perspectiva de vida que seria interessante pra mim, mas entre incapacidade, crises depressivas, medo do insucesso, só me vem em mente o jornalismo. Há muito tempo, quando eu ainda me dava ao luxo de sonhar, cheguei a dizer que a única profissão que eu poderia exercer seria a de jornalista; mesmo sem estar lá, sem saber das dificuldades, das matérias chatas que são de lei em qualquer curso superior, em algum lugar eu apenas sei que a única força que eu tenho são as palavras - a única coisa que eu sei fazer, e acredito que faça moderadamente bem, é escrever. Desde que o mundo é mundo, desde que eu sou eu, minhas palavras são essenciais, meu único meio, minha única distração; eu só chego em algum lugar usando as minhas palavras, que apesar de às vezes tão confusas, sei que já conseguiram mexer com muita gente. É minha única capacidade, talvez meu único dom: escrever, fotografar, falar, informar e quem sabe até fazer um puta de um esforço pra chegar a ser neutra em determinados assuntos, quando for preciso. Tenho família, amigos, meu amor em segredo e o jornalismo, o sonho, a idealização de estar lá dentro - não acredito no fracasso, não neste âmbito - ninguém fracassa fazendo o que ama, mesmo que se foda, que trabalhe muito, que ganhe pouco. Da mesma forma que num relacionamento a dois, tudo vale a pena desde que seja verdadeiro, desde que seja amor. E é uma coisa tão grande que eu arrisco compará-la com o maior sentimento que já tive na vida.
Enfim, preciso sair dessa e aceito sugestões. Quem sabe até uma bolsa na PUC pra eu sair de lá me chamando de Jornalista.
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