junho 14, 2010

Se antes eu queria estar corajosa, agora já torço pra que essa crise de coragem vá embora e eu volte a ser a menina medrosa e covarde de antes. Não era pra eu estar acordada, eu não queria; mas em dia de prova tudo fica mais complicado, inclusive o corpo... qualquer coisa que acontece comigo pode ser vista pela reação do meu corpo, tipo sono, cansaço, falta de apetite, tudo tem um significado emocional, psicológico e blablabla.

Passar noites acordada me faz bem, mas quando o Gil dorme cedo eu fico praticamente sozinha me ocupando com jogos, downloads ou pensando besteira. Agora que eu já baixei CD's, levei uma surra no DotA e o Thiago já foi dormir, é o meu momento de pensar demais e chegar naquelas conclusões meio chatas. Talvez um dia eu vá além e solucione o meu problema de vez do mesmo jeito que fiz ontem tirando um puta peso das minhas costas. Aprendi na base do sofrimento que ser sincero é confortável, faz a pessoa se sentir leve :D

E antes de eu subir no salto com meu orgulho e fazer uma merda atrás da outra, eu devia ter limpado toda a bagunça. Começar uma vida diferente inclui jogar o passado no lixo, e embora eu o tenha feito, a bagunça que eu não limpei continua ali, me incomodando toda vez que a vida de merda que eu levo dá uma brecha. E não que a minha vida seja ruim, não estou dizendo que vivo infeliz... mas só agora vejo que passei por transformações desnecessárias e perdi a minha tão adorada essência, vou contar o porquê disso...

Não gosto de guardar rancores e por incrível que pareça, não tenho ódio de ninguém; mas entre tantas histórias tenho um arrependimento bem maior do que qualquer coisa errada que eu tenha feito (incrível como eu sempre consigo ser egoísta). Me arrependo amargamente de ter confiado nas pessoas erradas que ao invés de me ajudar, me empurraram mais ainda pro fundo do poço enquanto eu, babaca, acreditava estar fazendo o melhor pra mim (eu, sempre eu. será que as coisas seriam diferentes se eu pensasse menos em mim?). O melhor pra mim nunca foi e nunca será acordar todos os dias pensando que vou continuar com os mesmos problemas daqui a 10 anos; o melhor pra mim nunca será deixar de sonhar e perder a fé em qualquer coisa bonita por aí.
Por quê eu me transformei nisso? 
Por quê eu agora faço coisas de que eu não me orgulharia?
Se alguém em algum momento imaginou que poderia estar fazendo algo pra melhorar a minha vida, queria muito poder dizer que só estragaram tudo! Se antes eu pecava por dois, três erros, agora já perdi até a conta.

Como eu pude um dia chamar "desconhecidos" de amigos?
Como as pessoas podem interferir na vida alheia desse jeito? :@
Só vejo monstros ao meu entorno, na boa. E monstros bem piores do que eu.

Sempre quando eu paro pra pensar o sobre certos assuntos, sou tomada por uma mistura de nojo e arrependimento; nojo de quem se aproveitou das minhas fraquezas e arrependimento por ter deixado as coisas chegarem a tal ponto. Não que eu dramatize sobre isso, o que foi feito não pode ser mudado e muita coisa aconteceu! Mas se eu soubesse teria feito muita coisa diferente, teria sido corajosa, teria enfrentado (e esse ano é exatamente o ano da dor, não quero nem dizer a razão)!

Mas como eu ia saber? 
Como eu vou saber daqui pra frente? 

Viver nesse mundo não é fácil, as pessoas não são fáceis e eu nasci sem confiança alguma no ser humano. É por isso que às vezes meto pés por mãos jogando tudo pelo ralo... eu simplesmente não acredito, acho as pessoas imundas, nojentas. Nada mais justo do que ser imunda e nojenta também. Eu sei que não justifica e que muitas vezes eu fiz coisas horríveis pra alimentar o meu ego e a minha sede por pequenas vinganças, mas tudo piorou consideravelmente depois de uma avalanche de mentiras que me amarguraram por dentro; amargura essa que dividia espaço com sentimentos como revolta e dúvida.
 
Como certas coisas podem coexistir dentro de um único ser?

Ainda morro com essas dúvidas e durante muito tempo eu preferi simplesmente abafar tudo porque não acredito que preciso saber certas respostas que talvez nem existam... mas agora... é tudo muito diferente. Consigo enxergar as coisas sozinha, consigo enxergar o que fizeram comigo e na boa, a revolta é tão grande e eu não posso culpar tanto assim os outros porque o erro começou em mim! Eu comecei tudo errado, eu devia ter agido diferente, eu devia ter jogado a merda no ventilador quando tive o impulso, eu devia ter aguentado as consequências, talvez eu estivesse melhor agora.

Cara, é muito difícil falar sobre esse assunto em "códigos". Eu queria poder citar nomes, xingar meio mundo e mais do que isso, assumir a minha parte de culpa e chorar uns litros por não poder consertar as coisas, mas é tudo tão foda de fazer! Parece que estou sendo assistida por sei lá quantas pessoas, e parece que por esse motivo, sinto vergonha de ser honesta e limpar todas as bagunças que deixei pra trás. Mas de uma coisa eu tenho certeza: vou fazer isso um dia. E faz parte do meu show aguentar até a hora certa, faz parte dar um xilique tão grande que vai entrar pra história, faz parte deixar todo mundo ciente de que passei noites em claro chorando e lamentando minha falta de sorte. Eu vou fazer isso um dia, e espero ansiosa o momento de saber que a pessoa que deveria me apoiar e fazer bem é a que mais destroça a minha vida.

Um dia eu juro que vou explicar esse post.

Nenhum comentário: