julho 20, 2010

vício.

Quando o vejo, amo encostar no pescoço dele e inspirar com força. Ele está sempre perfumado. E, mesmo quando não está, tem um cheiro natural delicioso. Assim como ele gosta de me provar, passando a língua em minha pele enquanto diz ”Deixa eu sentir seu gosto, deixa eu sentir você”, amo aspirá-lo, feito uma droga forte.
Acho que ele é minha cocaína, um vício que me intoxica pouco a pouco e que não tenho coragem de largar. Aliás, não tenho vontade de largar. Ainda que me ofereçam uma internação, digo que não desejo sair dessa porque é um vício que, ao mesmo tempo que me consome e me mata à prestação, me faz morrer feliz aos pouquinhos…
E essa morte, essa petite mort, é a melhor delas. E vem sempre, várias vezes, quando desfaleço enquanto ele coloca a boca nos meus lábios. E eu olho para baixo e vejo aqueles olhos de garoto grudados aos meus, exibindo o prazer de quem gosta de beijar todos os lábios que uma mulher possa vir a ter.
E eu cheiro e sinto as narinas arderem a cada vez que esse pozinho de menino entra em mim. E ele corre por todos os meus caminhos, pelo clichê das veias, até que meu peito arfa e o coração bate tão forte que chega a doer.
Aí entro no transe que só se esvai horas depois, quando é sucedido por aquela abstinência louca de quem está sem a droga que mantém tudo vivo e com imagens de caleidoscópio.
Ele é o ecstasy, a euforia, a droga do amor que pode me manter ligada por horas, com o sexo úmido e uma excitação quase assustadora.
Ele é a cocaína que não me deixa parar.
Ele é a bebida que me bambeia as pernas. O vício que me consome num canibalismo perene que me faz devorá-lo e ser devorada.
Ele é minha mescalina, meu herói, minha heroína.
Quero morrer de overdose.

post original: http://naonaopara.virgula.uol.com.br/vicio/

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