março 08, 2013

O sonho de qualquer garota é ser surpreendida pelo cara de quem gosta.  Também foi o meu por um bom tempo, continua sendo... tem dia que chego em casa e fico imaginando como seria se ele estivesse lá ou em qualquer outro lugar me esperando com um abraço pronto, com aquela cara de pau me pedindo desculpas.  Não importa o pensamento de mais ninguém, eu sei e tenho certeza de que mereço não só um, mas vários pedidos de desculpas por ter sido tão maltratada e humilhada de várias maneiras e em várias situações.  A gente sempre escolhe o pior caminho pra "resolver" as coisas.  Que porra de amor é esse que ele sentia que só sabia acabar comigo na maior parte do tempo?  Nunca foi fácil, muito menos simples pra ele reconhecer isso.  É claro que ele sempre estaria certo por me agredir com palavras duras ao invés de virar a mão na minha cara.  Capaz de uma surra ter doído menos.

Como eu ia dizendo, sempre gostei e sempre quis ter essas surpresas estranhas.  Às vezes até tive, mas nunca num dia como esses em que tudo o que eu gostaria de ter é um motivo pra não cair no desânimo.  Ele sempre virava as costas quando eu resolvia chorar as minhas mágoas por suas atitudes.  O mundo parece que acabou pra mim e infelizmente eu preciso tirar forças de onde não existe.  Não tenho mais dezesseis, não posso simplesmente me trancar em casa e ficar mal com tudo e todos, o negócio é seguir e porra, como dói não poder ficar em casa chorando o dia todo ou pedindo colo pra todo mundo.  Tenho um amigo de cada lado tentando me consolar com aquelas frases de sempre dizendo que tudo vai passar, e doer menos e blablablá.  Quem dera o problema todo fosse esse!  O problema é deixar passar, como se eu quisesse que isso passasse, o problema é ter que me afastar de alguém que eu amo e ver que essa pessoa não faz a menor questão de mim.  Caí, fiquei um caco, me machuquei muito... e quem olhar ainda vê a mesma postura de que está tudo bem quando no fundo não está nem um pouco.  Queria poder dar uma crise de fraqueza agora e me descabelar da mesma forma que eu fiz quando parei de atender aos telefonemas da Lu há quatro anos atrás.  Mas cadê que eu posso fazer isso?  A gente vai ficando mais velho e a coisa toda vai endurecendo cada vez mais, ninguém nos dá o direito de fazer como as crianças e rolar no chão de tanta tristeza.  Tristeza pelo tamanho da merda que fizeram comigo durante não sei quantos anos e eu só consegui piorar, tristeza por não saber cuidar de mim bem o bastante pra fazer essa dor passar, tristeza por estar envergonhada com o tamanho da minha dor a ponto de não conseguir dividí-la com mais ninguém.

Chega, boa noite.

Nenhum comentário: