novembro 03, 2012

Prévia.

Era uma vez eu, com dois sonhos:

- Conseguir passar numa porra de prova pra, quem sabe um dia, exercer a única profissão em que me imagino indo trabalhar feliz;
- Encontrar uma pessoa de quem eu gostasse o suficiente pra que eu pudesse contar todas as minhas vergonhas e me sentir à vontade.

Como eu posso dizer?...
Meus sonhos não deram errado.  Só saíram (e muito) dos trilhos.

Já passam das oito da manhã e o único lugar solitário dessa casa é o banheiro de porta trancada.  Abri o chuveiro e fiquei abaixada lá, com água quente na cabeça e nas costas, chorando e abafando um grito desesperado de quem não quer continuar carregando uma dor tão familiar.  Talvez ninguém nunca vá saber a quantidade de merdas que acontecem comigo quando ninguém está olhando, como eu me escondo pra não ser tirada de "dramática sentimental".  E sabe de uma coisa?  Eu sou mesmo, sentimental pra caralho, e se precisar, sou dramática também... provavelmente porque as pessoas se preocupam muito consigo mesmo e cagam na cabeça das outras.

O que eu queria dizer é que especialmente hoje eu queria ter um lugar aonde me esconder pra não precisar disfarçar o choro incessante toda vez que alguém em casa passa por mim; duvido que eles não estejam vendo essa minha cara inchada de pamonha.  Fiquei lá no chuveiro, gritando silenciosamente, me abraçando na falta de um abraço pra não incomodar ninguém com o meu sentimentalismo barato de mulherzinha.  Mais do que ninguém, sei bem que eu preciso muito desabar em algum lugar e ficar lá morrendo as minhas dores, uma por uma e ter alguém pra me segurar como na primeira vez que me veio uma coisa tão grande; lembro que naquele dia, com apenas doze anos, chorei feito criança na porta da minha casa, e, por sorte, eu tive um abraço e roupas quentes pra esconder o rosto até tudo se amenizar.  Devo ter chorado por uma hora sem parar da mesma forma que venho chorando por diversos motivos há pelo menos uns 3 anos.  Toda vez que isso acontece eu sinto morrer algo ou alguém aqui dentro e eu só queria ter o maior poder do mundo pra conseguir parar tudo o que me faz chorar dessa maneira...

Quando acreditei que a choradeira acabaria (e eu finalmente havia conseguido a minha vaga no curso que eu tanto queria) pensei que a vida fosse mudar, e continuei levando essa fé cega até praticamente as aulas começarem.  O problema é que elas vão começar em dois dias e eu perdi completamente a vontade de estudar, viver e fazer qualquer coisa.  Minha vida é um desequilíbrio, não consigo conversar com a minha família, não consigo conversar com ninguém... não confio em ninguém.  Parece que todo mundo faz pouco da minha situação seja porque eu não conto direito, seja porque tudo em mim é patético mesmo.  E eu preciso absurdamente de ajuda pra me esvaziar dessa merda toda que me tira a paz em tempo integral; eu queria conseguir sorrir e ser feliz de novo porque no fundo, isso é a cura pra qualquer mal que possa haver.  Mas cadê a felicidade?  Cadê o equilíbrio que eu perdi os últimos anos procurando?  Rodei, rodei... terminei no meio da bagunça de novo, assustadoramente.  Parecia que ia dar certo dessa vez.

Como é que eu vou entrar pro momento tão esperado da minha vida desse jeito, God?  Com tudo em desordem mais uma vez, sem saber pra onde ir, pra onde olhar, a quem procurar... é essa pessoa que todos acreditam ser forte e "aguentar"?  Eu não aguento!  Na verdade eu ficaria imensamente feliz se todo mundo parasse de fazer sempre as mesmas coisas comigo, não me vejo fazendo mal à ninguém e tudo que eu recebo é porrada, uma atrás da outra.  E eu continuo aqui sentada, com cara de idiota, engolindo o choro junto com os meus medos.  Vai ver se eu posso contar com alguém agora...

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