"Você vai ter sempre a mim... sempre."
Era o que ele dizia quando eu reclamava da vida e me sentia sem amigos. Mesmo assim, o sempre é tempo demais; a gente passa muito tempo de nossas vidas esperando por alguém que vá ficar de coração aberto por um período tão longo. E esperar sempre dói.
Hoje eu acordei sem querer, lembrando desse mesmo dia vinte e três do ano passado, quando ele saía pra trabalhar em pleno feriado e me deixava com preguiça na cama. Como era gostoso acordar no susto e ver que ele ainda estava ali do lado me vendo dormir com uma garrafa de danone na mão... Como era bom acordar no abraço dele e até prazeroso vê-lo sair pra trabalhar de manhã tão cedo, sabendo que no fim do dia ele estaria de volta pra fazer programa de índio comigo ou ver um filme no cinema. A rotina foi essa e ele acabou sendo tanto de mim que eu não sei mais dizer quem sou sozinha. O que eu gosto de fazer sem ele? O que eu vou fazer no shopping em pleno sábado? Todas as coisas que eu antes fazia sozinha por diversão, eu queria fazer ao lado dele - mesmo sabendo que ele odiaria e reclamaria quando eu não estivesse olhando... Eu só sabia ser feliz se ele estivesse lá quando eu olhasse pro lado e nós trocássemos aquele olhar de cumplicidade que só quem tem o outro tão próximo entenderia. Talvez por só saber ser feliz ao lado dele que estou tão triste hoje. Lembrando de quando ele saía pela porta da minha casa pra ir trabalhar e não dava tempo pra nada. Era tudo no aperto, uma correria danada. Era mais feliz do que jamais foi quando aquilo acabou.
E eu sinceramente não sei porquê estou falando disso, já que eu só vou chorar mais e nada vai mudar. Ninguém me aguenta por mais de um ano, não existe sempre, não existe mais cinema, não existe nada.
Enfim.
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