janeiro 18, 2013

Let it go - segundo ato (?)

De tanto sofrer pelos cantos acreditando que existe um encaixe perfeito pra todas as pessoas no mundo com exceção de mim, a brisa afastou as nuvens escuras e eu pude sorrir por uns cinco minutos. Há muito tempo atrás, enquanto eu ainda procurava por uma pessoa que pudesse ser por si só essa sincronia toda, muitos que conheceram a minha solidão disseram que o problema se resumia ao fato de eu sempre procurar nos lugares errados, nas pessoas erradas... como aqueles que procuram ouro no lixão de Caxias, sabe? É um defeito meu, por ser tão ansiosa sobre a vida e todas as coisas que ela talvez me reserve. Já cheguei numa fase de desacreditar, que a vida não tem nada pra mim além de um desgosto atrás do outro e é meio dessa forma que eu tenho levado todos os dias desde então... uns mais, outros menos.

Em meio ao meu mundinho de descrenças e decepções, uma luz brilhou mais forte e aqui estou! Não com as esperanças que eu tinha aos dezesseis, mas com alguma esperança, alguma sensação positiva passeando dentro de mim. Finalmente posso assinar embaixo ao dizer que existe sim pelo menos uma pessoa que seja eu de um jeito tão profundo que não caberia em palavras. Eu existo, e existo fora de mim. Que descoberta maravilhosa! Eu sou linda, tenho opiniões próprias, um sorriso frequente... num espelho de mim eu perdi todo o resquício ruim que me impedia de ser eu! Sou a forma mais pura de mim e esse meu eu é tão bonito justamente pelo fato de não residir em mim, com todas as minhas angústias e inseguranças... o meu eu, do outro lado, segura os meus defeitos, os transforma em coisa alguma e me distrai com tudo o que eu ainda não aprendi a ser. Isso tudo (incluindo as palavras não ditas e os acontecimentos que talvez só existam em mim) me ensinou que assim como o coração não escolhe por quem bater, este também já tem seus favorecidos. E por mais que seja triste assumir que nada é do jeito que a gente realmente gostaria que fosse, a vida está aí, de portas abertas para que um dia eu seja forte o suficiente pra estar no lugar certo, na hora certa e descobrir os mistérios de mim mesma.

Muito obrigada a você que me mostrou que o inexistente é apenas uma questão de espaço.

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