agosto 15, 2012

Feliz dia dos solteiros!

Só se for pra você, meu amigo. Aquele estereótipo do cara solteiro, bagunceiro e que vai permanecer assim até não ter mais mãe pra lavar suas cuecas.

É um desgosto diário acordar, respirar, entrar na internet e lembrar que estou solteira, e hoje é um dia especial pros iludidos que acham que ser solteiro, ir pra baladinha e beijar um monte de boca suja é a melhor coisa do mundo. Na verdade, depende da fase. A minha opinião é que grande parte das pessoas solteiras tem um certo tipo de recalque, aquela coisa de jogar na cara que é solteiro, não gasta dinheiro com ninguém, não se estressa com relacionamento e é livre pra fazer o que quiser. Outra opinião que eu tenho é que a liberdade só é muito boa se houver alguém ser livre junto. Não adianta poder fazer todas as coisas do mundo se não tiver um alguém lá pra compartilhar histórias e rir de tudo depois. Como eu ia dizendo, esse post inteiro é sobre as minhas opiniões e experiências desagradáveis de solteira. Me pergunto a quantidade de relacionamentos frustrados e chifres (e quantos amigos foram perdidos pra namoros) essas pessoas tiveram pra se revoltar tanto e achar que namoro se resume a perder dinheiro e se estressar; não é tão mentira assim, mas a pessoa que pensa dessa forma realmente precisa e merece ficar solteira até engordar e deixar de ser atraente pra ver que existem coisas piores nessa vida do que manter um relacionamento nos eixos e dividir dinheiro por dois (ou mais, pra quem tem filho).

Vamos então ao motivo da minha infelicidade por estar solteira.
Enquanto as outras pessoas terminam e entram na onda "feliz" de ir pra todas as festas do mundo, conhecer um monte de gente confusa, fazer sexo casual com a cidade inteira e abrir a geladeira pra tirar tudo o que estava apodrecendo (isso mesmo) por lá, eu fico aqui me perguntando um monte de coisas. E lembrando, inclusive, de todas as confusões que me meti quando fiquei solteira por dois anos praticamente. Dá vergonha até de lembrar do tamanho do meu desespero por ver as coisas sempre dando errado e a minha atitude em resposta ao que a vida estava me dando... mais uma decepção, mais uma pessoa indo embora.

O que eu mais quis desde sempre foi ter alguém com quem dividir as coisas, boas e ruins. Alguém com quem eu me sentisse bem em falar pelos cotovelos e bater os olhos. Enquanto solteira, não dá tempo de conhecer ninguém tão bem a ponto de estar à vontade, é tudo muito passageiro e os assuntos... ah, os mais chatos e superficiais possíveis. Nunca vou entender gente que acha graça em certas coisas...

 Em quantas confusões eu me meti é bem difícil saber, prefiro até não lembrar da vontade que eu tinha de esconder o rosto e sair correndo pra casa algumas vezes; me sentia desgastada por ser uma pessoa que eu não queria ser por não ter nenhuma outra opção além de virar as costas pra tudo o que doía e me distrair com futilidades. Minha vida se parecia com as histórias desses blogs de perguntas por aí... arrumei problemas, companhias erradas, me envolvi em situações nas quais eu não entraria por vontade própria e até me diverti um pouco também...  Eu poderia dizer que deu certo por um tempo, mas lá no fundo, pouquíssimas foram as vezes em que estive feliz de verdade. A suposta felicidade chegou um pouco atrasada, quando me apaixonei (pelo indivíduo que me deixou na solteirice de novo rs), levei uma sequência de foras, quis esquecer e me revoltei. Aí sim, a "vida" começou pra valer e os acontecimentos viraram um embolado de histórias... parece até piada mas o melhor momento de ser solteira foi quando eu estava apaixonada e não era correspondida. Talvez tenha sido sorte, vai saber.

A questão é que o passar do tempo vai deixando a gente diferente... a única coisa que eu tenho feito nas últimas semanas é me perguntar: e agora? Com quem vou dividir as coisas? Como é que a gente se acostuma a uma coisa tão ruim como estar sozinha? O vazio de acordar sem mensagens de bom dia, o vazio de ter um espaço ainda ocupado no peito e uma pessoa lá do outro lado, contente por estar livre de um fardo. Como é que se lida com isso?

Desculpa, mas eu não sou o tipo da solteira feliz. Também não sou mais a pessoa que vai sair à noite e arrumar um bando de idiotas pra substituir a falta que um outro faz... isso cansa, eu me cansei muito até perceber que ao invés de sair pra afogar as mágoas, eu queria poder começar tudo de novo, quantas vezes fosse preciso pra ter a sorte que algumas pessoas têm de não estarem sozinhas na vida. Talvez um dia eu seja essa solteira feliz, talvez eu leia esse post e lembre desse dia em que todos comemoravam enquanto eu vivia o momento mais sem graça do mundo, talvez a minha sorte vire e eu passe os melhores anos da minha vida dividindo tudo com alguém que pode ser ele, ou não. Talvez, apenas talvez, eu entenda de todo o meu coração que ele fez a coisa certa por ter feito o que eu nunca saberia fazer.

Feliz dia dos solteiros pra vocês que são felizes assim.

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