outubro 31, 2011


"(...) mas, de repente, o cavaquinho de Porfiro, acompanhado pelo violão do Firmo, romperam vibrantemente com um chorado baiano. Nada mais que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse logo, como se alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E seguiram-se outra notas, e outras, cada vez mais ardentes e mais delirantes. Já não eram dois instrumentos que soavam, eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente, a correrem serpenteando, como cobras numa floresta incendiada; eram ais convulsos, chorados em frenesi de amor: música feita de beijos e soluços gostosos; carícia de fera, carícia de doer, fazendo estalar de gozo."
(Trecho de O Cortiço, Aluísio Azevedo)

Em 1800 e lá vai já se escrevia sobre o furor inexplicável causado pela música brasileira. Não essa poluição sonora produzida hoje em dia, mas a harmonia da bossa e a genialidade de algumas composições como por exemplo as do Noel Rosa. Só consigo me perguntar como é que tanta gente não enxerga o país agradável que o Brasil sempre foi apesar dos pesares. Enquanto o nosso povo quer sair daqui acreditando que os países de fora são melhores, a galera de fora reproduz as nossas músicas, investiga a nossa literatura, os nossos costumes... todo mundo quer ser brasileiro.

Preguiça e indisposição demais pra terminar isso aqui, mas a ideia era boa.

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