julho 30, 2011

Pais e filhos.

Estou vivendo intensamente o momento: "Quero colo, vou fugir de casa..."

Carta imaginária de alguém que jogou tudo pro alto

Queridos pais, se um dia vocês acordarem e eu não estiver mais lá, podem acreditar, eu me cansei. Cansei de vocês estarem sempre tão ocupados pra me ouvir, cansei de ser criança e não ter querer. Eu sei que embaixo do seu teto e dependendo do seu dinheiro, valem apenas as suas vontades, as suas regras. É por isso, pai e mãe, que eu resolvi dar o fora; não se preocupem, nada do que foi comprado com o dinheiro de vocês está saindo dessa casa. Nada além de mim. Porque antes de um investimento, eu sou um ser humano. Sou livre. 


Seus direitos de me comandar, me humilhar e me impedir terminam quando começa o meu dever de gente que é viver e errar, errar muito. Não é me escondendo do mundo que eu vou estar protegido. Eu quero ter histórias pra contar! Eu quero ser alguém de quem eu possa me orgulhar um dia! Eu quero pegar essa mochila, colocar nas costas e deixar o mundo me engolir, deixar a dor vir à tona, eu quero viver, mas quero viver morrendo! Pra mim, o sentido da vida é esse. Eu não quero saber, pai, o quanto você errou, o quanto você vai continuar errando. Eu não sou você, eu tenho uma vida própria e todos os dias eu durmo com medo de chegar aos trinta e ser você! Eu não sou isso, eu não quero, eu não vou! Eu to me mandando, pai. Sinto muito. 


Rafaela S.

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